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Testemunhos de Migração

JoaoTeixeira

Ser enfermeiro começa por ser uma opção, muitas vezes irreflectida, outras considerada uma vocação, ou simplesmente o resultado de várias ontingências a ponderar no momento de decidir um futuro e uma carreira.

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O meu nome é João Paralta, tenho 26 anos e sou natural de Nisa (Alto Alentejo). Tirei o curso de Enfermagem na Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Portalegre. Comecei no Ano de 2006 e terminei em 2010.  Posso definir-me como muito organizado e simpático. Escolhi Enfermagem um pouco por influência, pois era o curso que a minha irmã estava a tirar e ouvia dizer que tinha saída. Desporto sempre foi o que mais me fascinava, mas para quê? Ir para o desemprego? Hoje sei que foi a melhor escolha e já passaram 5 anos que acabei o curso.

Assim que acabei o curso enviei bastantes currículos, como a maioria dos meus colegas. Passados poucos meses já tinha colocação pois entrei para a Marinha de Guerra Portuguesa, no concurso que abriram para profissionais de Saúde. Fiz a recruta e o Curso Básico de Sargentos e comecei a trabalhar no Hospital da Marinha. Foi uma experiência de 11 meses que adorei e até tinha “queda” para a vida militar, pois em todas as formações que fiz, passei sempre com distinção, mas o meu contrato era determinado entre 3 e 6 anos se não estou em erro, o salário era baixo, mas poderia aumentar de ano para ano caso não houvesse congelamento na subida de posto, e segundo o que ouvia dizer ao fim desse tempo não iam renovar o contrato.

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Tinha sempre a esperança que pudesse mudar, mas hoje sei que o que querem é mão de obra barata, pois os meus camaradas do primeiro curso a entrar, dois anos antes que o meu já foram postos a mexer e não foi por não serem bons profissionais. Os próximos que vêm saem mais baratos. Não sei de quem é a culpa, mas como se costuma dizer “é do sistema”.

Custou-me imenso deixar a vida militar para trás, mas hoje sei que foi o melhor que fiz, pois em Portugal pouco valor nos dão. No início foi muito complicado, pois como ainda me faltavam cerca de dois anos e tal para acabar o contrato tive que pagar uma indemnização de 5420 € e alguns cêntimos, que se não fosse um grande esforço dos meus pais, não sei como os tinha pago, num prazo limitado de 20 dias.

E foi assim a minha vida profissional atribulada antes de chegar aqui à Suíça.

Já faz 4 anos que trabalho na Suíça, na Fondation Miremont em Leysin no cantão do Vaud. Comecei por trabalhar num EMS(Lar) e passado um ano mudei-me para um serviço de reabilitação (CTR) que recebe os pacientes alguns dias após o internamento no Hospital e já faz 3 anos que estou neste serviço.

Emprego Saúde – Porquê a Suíça?

João Paralta – Escolhi a Suíça, pois a minha esposa, namorada na altura já cá estava e falava-me muito bem das condições disponibilizadas pelo país. Posso dizer que a Suíça foi escolhida por amor. Antes de entrar para a Marinha também já tinha posto esta hipótese em cima da secretária mas ao entrar para a Marinha, ficou um pouco posta de lado.

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Emprego Saúde – Como se processou a escolha do local de trabalho?

João Paralta – A escolha do local de trabalho foi simples, pois enviei currículo para a instituição onde a minha namorada na altura trabalhava. Consegui o email da administradora da instituição, enviei-lhe o meu currículo, que lhe agradou e marcamos entrevista. Sabia se a entrevista corre-se bem que teria a oportunidade de ficar ali a trabalhar. Tive então que tomar uma decisão arriscada e rescindir contrato com a Marinha, pois tinha que dar um certo tempo à “casa”, para poder começar a trabalhar na Suíça, na data prevista por email, mas sem ter tido a entrevista na Suíça. Entretanto a entrevista correu bem e definimos a data para começar a trabalhar aqui. Como a “agora” minha esposa trabalhava na reabilitação comecei a trabalhar no Lar, onde aprendi bastante ao nível da integração com as pessoas mais idosas e alguns colegas de trabalho.

Emprego Saúde – E a adaptação?

João Paralta – Não posso dizer que tenha sido fácil, mas também não posso dizer que tenha sido difícil. Quando vim para a instituição, já conhecia alguns colegas que trabalhavam na mesma instituição, não no mesmo serviço.

Ao nível da língua todos os dias aprendemos alguma coisa nova, mas como tinha tido alguns anos de Francês na escola em Portugal e até era bom aluno já me conseguia desenrascar minimamente. Também aprendi muito com uma senhora idosa que todos os dias me ensinava algo de novo, principalmente na questão do vocabulário.
Depois há aqueles colegas que a palavra racismo lhes assenta muito bem, mas passou-se bem.

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Emprego Saúde – Quais os principais constrangimentos encontrados, ao nível social e profissional?

João Paralta – É claro que existem constrangimentos, pois sendo um país diferente, com cultura diferente e uma língua diferente e ao estarmos longe da família mantem-nos desde já afastados da cultura daqui. Uma coisa que me surpreendeu bastante é os supermercados fecharem por volta das 18h e só nas sextas-feiras fecharem por volta das 21h, o que não se vê em Portugal, pois nas grandes cidades estamos habituados a grandes surfasses, o que aqui não acontece. E o facto de trabalhar por vezes das 7h às 19h30, quando saio do trabalho já não posso ir às compras.

Nós Portugueses gostamos de receber os outros, mas aqui existem certas pessoas que são muito frias, pois pensam que lhes viemos roubar o lugar. “E por vezes viemos mesmo.”

A nível profissional a política de cuidados aqui é muito centrada na vontade do paciente, por exemplo se a pessoa não quer comer, a vontade do paciente prevalece, que em Portugal, por tudo e por nada se mete uma Sonda Nasogástrica para alimentação até mesmo aos últimos momentos do paciente. Aqui prevalece-se muito o conforto da pessoa.

Uma das coisas muito boas aqui, é a colaboração das instituições na nossa formação e pagam as despesas todas de formação, caso sejam de acordo com a mesma. Na maioria das vezes é mesmo a instituição que propõe as mesmas.

Para esclarecer todos aqueles que pensam que aqui é só mil maravilhas aqui vai. Ganhamos bem, mas também gastamos muito. Ou seja, temos um seguro de saúde a pagar por mês, as rendas das casas são altas, descontamos bem, temos as nossas contas, mas conseguimos ter uma boa qualidade de vida e por vezes meter algum dinheiro de lado. É claro que estamos longe de Portugal, mas a vida é mesmo assim e em Portugal pouco valor nos dão.

Emprego Saúde – Confirmas que existe uma diáspora de enfermeiros portugueses já visível na Suíça?

João Paralta – Confirmo e volto a confirmar. Como se costuma dizer: “Somos mais do que as mães.”
Como já referi mais acima já conhecia alguns colegas Enfermeiros Portugueses na instituição da mesma escola do que eu. Na altura havia o lema, um trás o outro e por ai fora. Até ao momento na instituição já trabalharam 9 enfermeiros da Escola Superior de Saúde de Portalegre. De momento somos 6. Mas Portugueses é o que há mais. Somos mesmo muitos enfermeiros Portugueses a trabalhar na Suíça.

Emprego Saúde – Satisfeito com a opção?

João Paralta – Muito satisfeito mesmo. Foi graças à minha saída de Portugal que consegui casar, criar família, e ter a maior parte das coisas que tenho hoje.
Como tinha referido as instituições apoiam nas formações e no meu caso também me apoiaram. Acabei à pouco o CAS de Praticien Formateur, que em Português é uma Pós- Graduação de Orientador de Estágios. Todos os alunos de enfermagem que vêm em estágio são seguidos pela pessoa que tiver esta formação.

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Sou a Mónica, tenho 26 anos. Sou natural de Castelo de Paiva, fui militar no Exército Português durante 6 anos e licenciei-me pela Escola Superior de Enfermagem de Lisboa.

Nunca sonhei ser Enfermeira, mas sempre admirei o trabalho dos Enfermeiros, o muito que fazem e a pouca visibilidade que têm, não trabalham para serem reconhecidos, mas para fazerem a diferença…

Angola não surgiu espontaneamente, eu enviei currículos propositadamente para toda a África recusei propostas para a Bélgica, Alemanha e Inglaterra… Quando me fizerem a proposta aceitei sem pestanejar… Porquê Angola?! Porque para mim só faria sentido fazer o sacrifício de abandonar o meu país se fosse para estar num local onde as pessoas sabem bem o que é sacrifício e onde a minha saudade ou a mágoa de abandonar o meu país era pouco comparado ao muito que eu podia fazer por aquelas pessoas, as que sabiam muito antes de saírem do ventre o que é dor e sofrimento.

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Chamo-me David Oliveira, tenho 24 anos e nasci em Coimbra. Conclui a licenciatura em Enfermagem em 2011 pela Escola Superior de Enfermagem de Coimbra.

Enfermagem nem sempre foi o meu sonho como profissão, mas por volta dos 15 anos, por incentivo da minha mãe e pelo fato de ter enfermeiros na familia comecei a ganhar o gosto pela profissão. E com o avançar do tempo fui ganhando a curiosidade para perceber a fisiologia do corpo humano, os estados patológicos e formas de tratamento dos mesmos  e, mais tarde, com a iniciação do curso de enfermagem tive a certeza que era este o meu caminho.

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Veríssimo Gil Miranda da Silva, 25 anos, natural de Ribeirão, residente em Vila Nova de Famalicão, distrito de Braga. Alegre, divertido, altruísta por natureza, estou consciente da necessidade do bem estar de todos, por isso escolhi Enfermagem como profissão.

Atualmente, dadas as circunstâncias económico/politico/sociais em Portugal emigrei para Inglaterra. Sou enfermeiro em Londres, no Reino Unido, desde Abril de 2012, após quatro anos de licenciatura na Escola Superior de Enfermagem na Universidade do Minho em Braga.

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O meu nome é Ricardo Silva, e pertenço à geração de 1988. Nascido no Ribatejo, em Santarém, local onde me formei enquanto enfermeiro. Decisão esta tendo em conta as potencialidades da classe como um bem de primeira necessidade, não só em Portugal, como por todo o mundo. Sou lutador, orgulhoso e planeador. Gosto de pensar no futuro, e questionar-me sobre todas as opções envolventes.

Sou enfermeiro por adorar o relacionamento humano conjugado com a doença. Feito isto, sou emigrante desde os meus 23 anos, enfermeiro de cuidados intensivos 6 meses depois. Exerço funções no primeiro hospital público britânico com 100% dos quartos privados, em Royal Tunbridge Wells, Inglaterra.

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Sou a Rita há 30 anos, que é Fisioterapeuta há 9 e que se move pelas suas vontades, determinações, impulsos, pelos seus sonhos e acima de tudo pelo que a vida a faz sentir, desde que se conhece como gente.

Trabalhava há 6 anos como Fisioterapeuta num Centro de Neuroreabilitação no sul do pais quando fui inesperadamente, a meio de um corredor, intersetada pelo Luís, um ex-colega de trabalho (que no momento estava em Angola) e que ali assim, de animo leve, no meio de um treino de marcha com uma pessoa, me convidava a embarcar num novo projecto, a experimentar um novo desafio, a ser sua parceira numa nova aventura: ser docente ao curso de Reabilitação Física e Psico Social na Universidade Metodista de Angola.

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O meu nome é Leila Rascão, sou natural de Sion (Suíça), onde completei o 5º ano de escolaridade. No entanto, cresci no Algarve, em Albufeira.

Sempre fui boa aluna, muito atenta nas aulas e a atracção pela área da saúde esteve sempre presente.

Desde que me conheço que assistia apaixonadamente a tudo o que dizia respeito aos serviços de urgência na televisão. Penso ter herdados alguns genes da minha avó paterna que foi enfermeira durante 41 anos, hoje reformada.

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Ágata Pedrosa, 25 anos. Nascida na Marinha Grande, distrito de Leiria. Sou determinada e corajosa mas também consigo ser insegura e muito medrosa. Sou uma pessoa muito sentimentalista mas bastante divertida. Sempre tive o sonho de vir a ser enfermeira e fui incentivada pelo desejo que o meu pai tinha de o ter sido um dia também. Terminei a minha licenciatura na Escola Superior de Saúde de Leiria em Julho de 2013 e em Setembro tomei rumo a Irlanda do Norte, mais precisamente Donaghadee onde me encontro a exercer a profissão. Aos 25 anos considero me realizada e feliz com a decisão de deixar Portugal devido aos problemas socioeconómicos que este se encontra a viver neste momento.

Ágata, quando iniciaste a tua licenciatura em Enfermagem, já perspetivavas seguir uma carreira fora do país?

Sim, frequentei o curso de enfermagem em Leiria durante 4 anos. Quando iniciei a licenciatura em enfermagem, tive esperança de conseguir trabalho em Portugal, mas a partir do 2º ano percebi que não ia ser fácil e comecei a pensar em alternativas, como trabalhar fora do país. Ideia assustadora inicialmente, mas que se foi tornando forte com o passar do tempo, sobretudo após receber a visita da empresa Four Seasons Health Care, para a qual trabalho, para apresentação da mesma e ter-me atirado de cabeça numa entrevista com os mesmos.

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testemunhos

Os profissionais de Saúde Portugueses são cada vez mais procurados na Europa e resto do Mundo.

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