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Testemunho de uma enfermeira em Paris


Colocado por | Outubro 27, 2013 | Testemunhos de Migração

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Chamo-me Eliana Silva e tenho 26 anos, sou natural de Leiria.
Conclui a licenciatura em Enfermagem aos 22 anos.
Sou Enfermeira desde 2009, estudei na Escola Superior de Enfermagem de Coimbra. Entre Agosto de 2009 e Julho de 2010, trabalhei essencialmente em fábricas e lojas, em part time, mas não como enfermeira. O meu primeiro trabalho como enfermeira foi em França em 2010.

Cansada de enviar curr√≠culos, fazer entrevistas e n√£o ver resultados, o desejo de melhorar a minha vida, poder construir algo, obter independ√™ncia financeira e poder exercer a minha profiss√£o levaram-me a ver outras solu√ß√Ķes, e porque n√£o sair de Portugal?¬†Sempre gostei de conhecer o desconhecido e de enfrentar desafios, este foi mais um que me coloquei.

Para onde ir?? que pais escolher?

Tinha conhecimentos de Francês, e queria um pais onde não fosse difícil vir a Portugal, saberia que o inicio seria duro e queria poder voltar a portugal sempre que pudesse. Dai a escolha por França ou Suiça. Decidi de melhorar o meu nível de Francês, para me facilitar no trabalho e na integração, frequentei aulas particulares durante 4 meses. Ao fim de 4 meses fiz um entrevista e constitui um dossier para a Suiça e enviei currículos para França. Fiz uma viagem ate a Suiça, para conhecer o pais, para me facilitar uma possível integração. Mas foi a França a primeira a dar-me a oportunidade.

Realizei uma entrevista por telefone, com uma ag√™ncia de recrutamento, depois tudo o resto foi tratado por mail, realizei as tradu√ß√Ķes de todos os meus documentos e enviei a empresa, esta tratou de tudo. Por mail enviou contrato de trabalho e bilhete de avi√£o, eu n√£o tive de pagar nada, nem alojamento, este tamb√©m era dado pela empresa.

Tudo organizado começou a aventura, no dia 8 de Agosto de 2010 de malas feitas, parti de Portugal, nao sabia como se iria passar, se tinha medo.. medo não mas receio, foi talvez o dia mais difícil, deixar família no aeroporto, partir para o desconhecido, sem saber o que nos espera, mas por outro lado, era isto que me motivava o desconhecido, uma vida nova..

Fui contratada para uma missão de 4 meses, trabalhei numa Maison de Retraite Medicalise em Castelsarrasin, fui muito bem recebida, e quando cheguei já haviam 2 enfermeiras portuguesas, também contratadas pela mesma empresa, o que tornou a integração mais fácil. As primeira semanas foram difíceis, lembrar da família, mas depois adaptei-me, fiz novos amigos, conhecimentos, trabalhava como enfermeira e desenvolvi o meu nível de francês.

A miss√£o terminou, tive uma proposta do hospital, que pensei em aceitar mantendo as mesmas condi√ß√Ķes, mas quando voltei a Portugal tive uma oportunidade de trabalho em Portugal no¬†Centro Hospitalar de Coimbra¬†no servi√ßo de Cirurgia Geral, antes da fus√£o dos 2 hospitais.¬†Decidi aceitar ficar por Portugal, mas a situa√ß√£o s√≥cio econ√≥mica que se vivia e vive em Portugal, gerou muita instabilidade, e depois de conhecer a vida, o trabalho, as condi√ß√Ķes que tinha, o sal√°rio que tinha em Fran√ßa. Decidi tudo deixar em Portugal e mudar me definitivamente para Fran√ßa.

Nesta altura decidi enviar CV directamente para clínicas e hospitais, fui contactada por uma clínica em Paris, onde me desloquei em 2011 fazer uma entrevista, consegui o posto. A dificuldade seria arranjar alojamento, a clínica ajudou-me, e consegui arranjar alojamento num foyer (residência para jovens), onde fiquei 7 meses até ter um apartamento.

Foi em Setembro de 2011 que me mudei definitivamente para Paris, autoriza√ß√Ķes obtidas na Ordem dos Enfermeiros, inscri√ß√£o na ADELI, e tudo em ordem podia exercer sem problemas.¬†Em Mar√ßo de 2012 consegui alugar um apartamento, onde me encontro actualmente, em Boulogne Billancourt, 30m2.

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E como sempre gostei de aproveitar as oportunidades, a França tem oportunidades para nós enfermeiros e eu sempre quis trabalhar no bloco operatório. Em Agosto de 2012 decidi procurar um lugar no bloco operatório, mesmo sem especialidade sabia que podia conseguir. Em Outubro de 2012 consegui um posto no bloco operatório num hospital de Paris, onde fui muito bem recebida, fiz uma formação, fui muito bem acompanhada e continuo a ser, e terei a oportunidade de entrar na escola para fazer a especialidade.

O que foi mais difícil?

A comida francesa.. no¬†foyer¬†foi dif√≠cil comer, a vantagem? Permitiu-me perder uns quilinhos, uma outra dificuldade foi deparar-me com uma grande civiliza√ß√£o √Ārabe e mu√ßulmana, com a qual em Portugal n√£o temos muito contato, e aqui sim se nota a diferen√ßa de culturas, mas ao fim de 2 anos em Paris j√° n√£o noto nenhuma diferen√ßa.

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Valeu a pena?

Actualmente penso que a decisão de deixar Portugal foi a melhor, estou contente, passei dias difíceis, mas a adaptação não é nem foi difícil, existem muitos portugueses, não só enfermeiros, que nos permite de manter um contacto com a nossa cultura e uma integração mais fácil. Penso que a França é um pais que me deu e me continua a dar oportunidades que Portugal não me deu e não me poderá dar. Não me arrependo, pelo contrário considero que foi uma óptima decisão de partir.

Fico a disposi√ß√£o para responder a outras quest√Ķes

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