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Eliana Firmino | Uma enfermeira em Isle of Man


Colocado por | Setembro 18, 2013 | Testemunhos de Migração

Isle of man

 

Eliana  Firmino é enfermeira numa Nursing Home, em Isle of Man (UK). O seu contacto chegou-nos através do nosso parceiros Best Personnel (link). A seguir apresentamos o testemunho sobre uma experiência num cenário pouco habitual mas interessante.

 

 

ES РDiga-me porquê e como é que tomou a decisão de emigrar para o Reino Unido?

Como é do conhecimento de todos nós, neste momento Portugal encontra-se a atravessar um período de grandes dificuldades. Podemos constatar que neste momento em Portugal os mais afectados estão a ser os jovens, jovens com vontade de trabalhar, de lutar por uma causa, com vontade de ficar naquela que sempre foi a sua nação, fazer por esta o que esta um dia fez por nós, lutar para fazê-la crescer novamente.

Estes jovens portugueses, lutadores e determinados, com um longo percurso acad√©mico v√™m-se obrigados a passar os seus dias a esfolhar o jornal, a percorrer todos os sites da internet √† procura do emprego ideal, a enviar 10, 20, 30 vezes por dia o seu curr√≠culo e no final de tudo deparam-se com a dura realidade…‚ÄĚNingu√©m responde?‚ÄĚ, onde est√° aquela frase educada ‚Äúobrigada pela sua candidatura‚ÄĚ.

Com o passar dos dias, come√ßa assim a surgir a vontade de desistir e abandonar aquele pa√≠s que de dia para dia nos come√ßa a conquistar mas apenas com desilus√Ķes.

Posso dizer que me deparei com estas situa√ß√Ķes v√°rias vezes enquanto Enfermeira Portuguesa. √öltimo ano de enfermagem, o sonho realizado e a vontade de agora exercer a minha profiss√£o. Deparei-me desde logo com as dificuldades que agora ainda mais de evidenciam. Decidi continuar os estudos e ao mesmo tempo procurar emprego. Mais dois anos em Portugal, a trabalhar para o curr√≠culo perfeito, especializei-me em Enfermagem Comunit√°ria e terminei o mestrado nesta mesma √°rea. durante estes dois anos posso dizer que fui Enfermeira, apesar de apenas realizar trabalhos prec√°rios saltando entre lares, empresas de apoio domicili√°rio… Tudo isto em busca de um contrato de emprego que nunca mais aparecia.

Chegou para mim aquela altura de dizer ‚Äúbasta‚ÄĚ. Com o apoio incondicional de aqueles que me s√£o mais importantes surge a decis√£o de abandonar o pa√≠s e esperar que ele volte a ser o que j√° foi um dia.

ES Р Descreva algumas das diferenças que encontrou no Reino Unido em relação a Portugal no que toca a trabalhar como Enfermeiro(a)?

Diferen√ßas?! Relativamente a este assunto √© mesmo necess√°rio pronunciarmo-nos no plural mas, a que mais se acentua √© o reconhecimento que o enfermeiro Portugu√™s obt√©m. O nosso Pa√≠s √© conhecido pela emigra√ß√£o e todos n√≥s j√° ouvimos as hist√≥rias que da√≠ adv√™m, a grande realidade √© que somos um povo trabalhador, sempre o fomos e fora demonstramos ainda mais essa garra de fazer bem e melhor. Somos bem formados, inteligentes e sabemos bem como demostrar essas nossas caracter√≠sticas. Posso dizer que cheguei √† Ilha de Man no dia 25 de Outubro de 2012, nessa dia tive consci√™ncia de que realmente a minha vida iria mudar. Foram feitas as despedidas, e estava literalmente pronta para come√ßar algo novo, come√ßar a construir o meu futuro afastada dos que me s√£o mais queridos. Comigo trouxe uma grande amiga de faculdade, que sem d√ļvida foi o que possibilitou uma adapta√ß√£o mais r√°pida, adapta√ß√£o √† meteorologia, √† l√≠ngua, √†s pessoas…

Agora, um ano mais tarde o mais dif√≠cil continua a ser a adapta√ß√£o √†s condi√ß√Ķes climat√©ricas, pode parecer clich√© mas esta √© a realidade.

Aqui, passado seis meses a exercer aquela que √© a minha paix√£o consegui um reconhecimento que eu jamais conseguiria em Portugal passados 20 ou 30 anos de √°rduo trabalho. A enfermagem que n√≥s exercemos e que nos √© ensinada em Portugal √© bastante diferente da Enfermagem Inglesa e n√£o s√≥. Como me dizia ainda ontem uma auxiliar de a√ß√£o m√©dica (care assistance) que acompanhou bem de perto a realidade do meu trabalho: ‚Äúyou makes my job, your job and after papperwork. How you can?‚ÄĚ S√£o estas palavras que no fim do dia, quando chegamos a casa nos fazem sentir realizados.

Posso ainda dizer-vos que aqui pessoas s√£o extremamente af√°veis, ao contr√°rio do que eu tinha em mente. S√£o divertidas e acima de toda a diversidade cultural que existe nesta Ilha s√£o extremamente confi√°veis. √Č sem d√ļvida um lugar extremamente seguro. Um √≥ptimo lugar para viver.

ES Р Em que aspectos é que acha que o facto de ter tomado contacto com a BPL influenciaram a sua experiência de trabalho no Reino Unido?


Sem d√ļvida que o contacto realizado com a BPL ajudou muito. Foi atrav√©s desse contacto que hoje estou onde estou. O contacto com a BPL foi o primeiro passo, e foi gra√ßas a esse primeiro passo que hoje me sinto realizada, com for√ßa e vontade para continuar. Tenho tamb√©m a agradecer-lhe pela for√ßa e apoio, quer durante as entrevistas quer relativamente a toda a documenta√ß√£o necess√°ria.

ES Р Quais são os seus futuros planos de carreira após esta primeira experiência?


Sempre me considerei uma pessoa extremamente ambiciosa, continuo a apostar na minha formação, e o local onde exerço a minha profissão apoia-me incondicionalmente nesse aspecto, fornecendo-me os instrumentos necessários para o meu crescimento.

Tenciono permanecer aqui e desde o in√≠cio que me foi colocada essa proposta, fui muito bem recebida e conquistei total confian√ßa atrav√©s do meu trabalho, esfor√ßo e dedica√ß√£o. Continuo a sentir falta dos meus mas como em qualquer outro lugar temos a facilidade de ir a Portugal v√°rias vezes ao ano e continuo a ter o apoio incondicional dos que me s√£o mais queridos. Se tenciono voltar a Portugal?! Talvez, um dia… Mas com certeza esse regresso n√£o est√° para breve. Descobri aqui o meu futuro, e aqui tenho as condi√ß√Ķes perfeitas para me sentir realizada. Aqui vou crescer, como pessoa, como profissional, como enfermeira.

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