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Um Português em Londres a exercer a profissão que gosta!


Colocado por | Janeiro 19, 2014 | Testemunhos de Migração

Veríssimo Gil Miranda da Silva, 25 anos, natural de Ribeirão, residente em Vila Nova de Famalicão, distrito de Braga. Alegre, divertido, altruísta por natureza, estou consciente da necessidade do bem estar de todos, por isso escolhi Enfermagem como profissão.

Atualmente, dadas as circunst√Ęncias¬†econ√≥mico/politico/sociais em Portugal emigrei para Inglaterra. Sou enfermeiro em Londres, no Reino Unido, desde Abril de¬†2012, ap√≥s quatro anos de licenciatura na Escola Superior de Enfermagem na Universidade do Minho em Braga.

 

1.Quando iniciaste a tua licenciatura em Enfermagem, já perspetivavas seguir uma carreira fora do país?

 

Sim, desde o ensino secund√°rio que tencionava sair do pais, para ver outras culturas, outras realidades profissionais e outros m√©todos de trabalho. Sabendo da¬†situa√ß√£o¬†de desemprego relativa a enfermagem quando terminei o curso em 2011, decidi juntar o √ļtil ao agrad√°vel. Nunca tive receio de sair e sempre gostei de¬†viajar . Realizei ERASMUS no 4¬ļ ano, durante 5 meses, onde vivenciei novas aventuras e, deste modo, adquiri uma nova perspetiva do que e trabalhar fora do pais, isto √©, mudar de pa√≠s.

2. Como chegaste √† op√ß√£o ‚ÄúReino Unido‚ÄĚ

 

Tao simples quanto eu saber falar a l√≠ngua inglesa quase tao bem como o nosso “portugu√™s”. Depois de um semin√°rio de esclarecimento acerca de emigra√ß√£o, que ocorreu no Porto, fiquei um pouco indeciso entre Irlanda ou Reino Unido, mas depressa conclui que deveria ir para o “UK”. Nesse semin√°rio, entre as empresas de recrutamento para o Reino Unido, estava a Kate Cowhig, √† qual deixei o meu contacto de email e enviei o meu CV.

londres

Londres moderno

3. Como se processou a escolha do local de trabalho?

 

Apos a inscric√£o na Kate Cowhig, depressa surgiu a oportunidade de ser entrevistado para um Hospital, em Londres, a qual decidi n√£o desperdi√ßar. A agencia de recrutamento ajudou muito pois nos e-mail que recebia, eram enviadas mat√©rias de estudo que poderiam sair na entrevista escrita, tinham tamb√©m excertos sobre o “CQC”, o qual temos de ter conhecimento e aten√ß√£o antes de virmos para o UK e ainda nos ajudaram na forma como ir vestidos, pois h√° umas regras de vestu√°rio a manter nas entrevistas. Depois de serem dadas as datas das entrevistas, escrita e oral, foi uma quest√£o de estudar termos cient√≠ficos e relembrar a gramatica do ingl√™s.

A entrevista escrita consistiu num pequeno exame de f√°cil resolu√ß√£o, ao qual passei, pois a mat√©ria era praticamente as mesma que a Kate Cowhig nos disponibilizava nos e-mail. Por√©m, na entrevista oral, apesar de ter √† minha frente duas “matron”, fiquei um pouco nervoso, mas acabei tamb√©m por passar. Fomos felicitados pela pr√≥pria Kate Cowhig. Seguidamente, foi s√≥ tratar de burocracias como obter o “Pin number” e a marca√ß√£o do voo de acordo com o nosso inicio da pr√°tica profissional.

 

Stratford

Stratford

4. E os primeiros tempos, como foi essa adaptação?

 

A adapta√ß√£o foi relativamente f√°cil, pois fui com um grupo de cerca de 30 enfermeiros portugueses, com os quais fiquei alojado numa especie de “residencial”, ou mesmo uma “residencia universit√°ria”, tudo organizado pela empresa Kate Cowhig. O alojamento ficava em Stratford, perto de um dos est√°dios ol√≠mpicos e do centro comercial “westfield”. Ficava tudo relativamente perto de onde viv√≠amos, o centro de Londres ficava a 20 minutos de metro e o hospital a 5 minutos de metro, mais outros de autocarro. Sempre nos ajudamos uns aos outros e, por isso, a adapta√ß√£o foi muito mais f√°cil do que se fosse sozinho. Sendo Londres uma “cidade do mundo” n√£o e’ dif√≠cil perceber que h√° oferta de tudo em praticamente todo lado.

 

5. O que é que foi mais complicado de gerir?

 

Sejamos realistas, sendo o povo portugu√™s um povo saudosista, eu n√£o fujo a regra. Sem d√ļvida que o que mais custa deixar √© namorada, fam√≠lia e amigos para tr√°s, enquanto procuramos um novo rumo e uma nova Engsolu√ß√£o para a vida, tempor√°ria ou definitiva. Se tiverem com medo de sair do pais, lembrem-se que o Reino Unido est√° s√≥ a umas miseras 2:30 h de avi√£o, em media, e, de que, pelo menos, de 2 em 2 meses podemos voltar, seja com ferias ou umas folgas. Por acaso o tempo metereologico n√£o me faz muita diferen√ßa, mas n√£o vou mentir se disser que, se estamos em novembro e esta sol em Portugal com m√°ximas de 20 graus, no Reino Unido n√£o devem chegar a m√°ximas de 8 graus. Consequentemente, o clima tamb√©m √© um fator saudosista!

6. E as diferenças relativamente ao exercício da profissão?

 

Este aspecto em particular, foi o que requereu maior adaptação da minha parte. Admito que é o que me faz pensar muitas vezes se continuo, ou não, no Reino Unido. S

em a mais pequena d√ļvida que, comparativamente, um rec√©m licenciado portugu√™s √© muito melhor que um rec√©m licenciado em Inglaterra, seja em termos te√≥ricos ou pr√°ticos. Aquele “racioc√≠nio critico” e “olho clinico” que os professores tanto nos tentavam incutir nas aulas e est√°gios √© muitas vezes in√ļtil para quem vai trabalhar para o Reino unido. Tudo √© estipulado por outrem de grau hier√°rquico superior. Se tentamos mudar comportamentos ou mentalidades nem sempre somos bem interpretados, porque n√£o √© assim que se faz no servi√ßo em quest√£o. Se anteriormente em Portugal havia uma¬†discuss√£o¬†saud√°vel com o professor ou Enf. tutor, sobre qual o melhor “penso” a usar, agora simplesmente seguimos o “care plan” estipulado. Se sabemos e dizemos¬†que aquele n√£o √© o melhor “penso” a ser usado, dizem-nos para continuar, pois se alguma coisa correr mal, a responsabilidade e a culpa ser√° nossa. Eu n√£o consigo concordar com este ideal de trabalho, pelo menos mentalmente, pois procedo conforme o estipulado, para n√£o desestabilizar essa din√Ęmica de trabalho.

Outra grande diferen√ßa √© a burocracia existente em volta dos utentes. Desconhecendo outras realidades hospitalares, no meu local de trabalho praticamente nada √© computorizado e tudo √© em papel. H√° “standards” para tudo e mais alguma coisa, contudo reitero que se uns s√£o necess√°rios, considero outros uma completa perda de tempo para o enfermeiro, quando poderia estar a prestar outros cuidados diretos ao utente.

7. Existe uma presença portuguesa notória em Londres?

¬† Nem sei como responder a esta pergunta, pois Londres √© um dos grande destinos de migra√ß√£o da comunidade portuguesa. Alem dos enfermeiros, h√° in√ļmeros trabalhadores em caf√©s e restaurantes portugueses, entre outras profiss√Ķes. ¬†

8. Satisfeito com a escolha?

 

Apesar das not√≥rias diferen√ßas entre as diferentes formas de trabalho, sinto-me satisfeito com a escolha. Tenho independ√™ncia econ√īmica, emprego est√°vel, boa habita√ß√£o e resido numa grande capital. Relativamente aos meus colegas enfermeiros que ficaram em Portugal, posso dizer que estou melhor , pelo menos a n√≠vel econ√≥mico e monet√°rio.

A nostalgia acentua se quando pensamos no quanto gostamos das pessoas próximas e na hora da despedida. Por vezes, surge uma vontade quase indescritível de desistir de tudo e ficar em Portugal e não ir para mais lado nenhum. No entanto, se queremos lutar por um futuro melhor e exercer a profissão que gostamos, não vejo muitas hipóteses além da emigração.

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