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Migrar para a Bélgica Flamenga


Colocado por | Agosto 16, 2013 | Testemunhos de Migração

O Emprego Sa√ļde traz o testemunho de tr√™s enfermeiras portuguesas ¬†a trabalhar na regi√£o Flamenga da B√©lgica¬†assessorada¬†pela¬†Moving People¬†neste percurso de mobilidade profissional.¬†Sara Alexandre a trabalhar desde Janeiro deste ano na zona de Borsbeek . √āngela Fernandes e F√°tima Neiva num Lar em Moerbeke¬†desde Dezembro de 2012.

Bélgica Flamenga

Sara Alexandre

Eu chamo-me Sara, tenho 23 anos e licenciei-me em enfermagem em Setembro de 2011. Uma vez que estava dif√≠cil encontrar trabalho, resolvi apostar no estrangeiro. Vi uma boa proposta de uma empresa para ir trabalhar para a Holanda, e decidi arriscar. As coisas n√£o correram muito bem… a empresa n√£o era de confian√ßa. Felizmente eu e os restantes colegas conseguimos sair a tempo. Resolvi ent√£o procurar uma empresa de confian√ßa. Uma vez que a¬† Moving People era uma das empresas citadas no F√≥rum como de confian√ßa e com experi√™ncia, arrisquei mais uma vez e desta vez deu certo.

Falei com um representante da Moving People,¬†tive uma entrevista e comecei a ter aulas de holand√™s via skype, com um professor belga. Eu j√° tinha umas bases de holand√™s, uma vez que tivera j√° aulas com a outra empresa, ent√£o n√£o foi um completo choque. A l√≠ngua holandesa √© uma l√≠ngua elaborada e um pouco dif√≠cil… Estar presente em todas as aulas, ser participativo e estudar muito em casa, √© bastante importante! Eu n√£o tinha nenhum emprego, ent√£o consegui aplicar-me a 100%. Ap√≥s completar as 150 horas de aulas, recebi ainda umas aulas extra, at√© fazer o teste da l√≠ngua. Consegui atingir o n√≠vel pretendido da l√≠ngua e posteriormente tive a entrevista, para um lar, numa vila ao lado de Antu√©rpia. Ap√≥s a entrevista ainda tive alguma aulas de refor√ßo, at√© ao dia da viagem para a B√©lgica.

Ap√≥s completar um m√™s aqui na B√©lgica o que posso dizer da experi√™ncia… A Moving People¬†¬†realmente tratou da papelada para vir para aqui, e c√° ajudou-nos a abrir a conta banc√°ria e entregou-nos um dossier com algumas informa√ß√Ķes sobre a empresa e sobre a B√©lgica. Mas c√° ainda temos de tratar de alguma burocracia… Felizmente as pessoas aqui no lar est√£o a ajudar-me com toda esta papelada!

As pessoas aqui no lar s√£o super simp√°ticas e ajudam-nos bastante na integra√ß√£o, o que √© bastante importante. Os pr√≥prios belgas s√£o muito simp√°ticos! Na rua percebem que somos estrangeiras, e perguntam-nos a nossa nacionalidade e metem conversa. J√° encontr√°mos pessoas que falam tamb√©m portugu√™s, o que √© sempre uma boa surpresa. A l√≠ngua, sim, √© uma importante barreira que temos de superar. N√≥s conseguimos manter uma conversa trivial, mas nada de muito profundo. E quando estamos longe da fam√≠lia e amigos, √© importante termos algu√©m com quem ter umas boas conversas. Felizmente vim para aqui com outra enfermeira, que me acompanhou durante todo o processo na Moving People¬†. √Č um aspecto bastante facilitador vir acompanhada… Sempre nos ajudamos uma √† outra e conversamos uma com a outra. Mas bem, embora eu e a minha colega achemos que n√£o temos assim um n√≠vel de holand√™s muito bom, toda a gente aqui diz que o nosso n√≠vel da l√≠ngua √© mesmo muito bom. Oque √© certo √© que conseguimos comunicar… E quando estamos c√° e temos mesmo de falar em holand√™s √© que aprendemos verdadeiramente a comunicar.

Quanto √†s condi√ß√Ķes de trabalho, s√£o bastante boas. E, embora o trabalho seja um pouco pesado (h√° poucas enfermeiras aqui), compensa exercer a minha profiss√£o. Eu escolhi trabalhar num lar, uma vez que a barreira lingu√≠stica pesa um pouco. Num ambiente mais familiar √© mais f√°cil aprendermos a comunicar com as pessoas e a conhecer o sistema de sa√ļde e de cuidados. Num hospital seria tudo bastante mais pesado, na minha opini√£o. E aqui os respons√°veis do lar querem apostar na nossa forma√ß√£o. Por exemplo, eu gostaria de tirar um curso, ou de me especializar em alguma √°rea… Posso sempre fazer a proposta e se eles acharem que ser√° uma mais valia para o lar, eles pr√≥prios pagam-te o curso, ou a especializa√ß√£o, ou o que for. Bem, para finalizar, apenas frisar que este processo n√£o √© um processo f√°cil! Aprender uma nova l√≠ngua, mudar de pa√≠s, ficar longe da fam√≠lia e dos amigos, conhecer uma realidade diferente… Mas, na minha opini√£o, compensa! Compensa porque posso exercer a minha profiss√£o… Compensa quando sei que posso evoluir na minha profiss√£o… E compensa sempre quando vejo que o meu trabalho aqui como enfermeira √© respeitado e valorizado! E claro, compensa sempre pela nova experi√™ncia, pelos novos conhecimentos e pelas novas pessoas na nossa vida.

Desejo muita sorte e força a quem quiser também embarcar nesta nova experiência!!!

Bélgica Flamenga

√āngela Fernandes

No início do processo de recrutamento, o meu objectivo pessoal era trabalhar em meio hospitalar na Bélgica, na região onde o idioma é o francês. No entanto por haver maior oportunidade de trabalho na região flamenga, optei por aceitar iniciar o curso de neerlandês para poder então trabalhar nesta região. Confesso que foi um grande desafio desde o início, pois o neerlandês é uma língua muito diferente do português e pessoalmente não tinha, até então, qualquer conhecimento deste idioma.

Aquando o início das aulas de neerlandês estava muito expectante e também com algum receio de não atingir o nível exigido de língua, pelas diferenças que este idioma apresenta em comparação com o português. No entanto com o decorrer das aulas este receio foi-se desvanecendo. Após muito trabalho (não só nas aulas mas também após estas) fui ganhando cada vez mais confiança na aprendizagem desta língua. O material de apoio disponibilizado pela Moving People  e pela professora foram ferramentas indispensáveis para que esta aprendizagem se tornasse possível. Os testes realizados pela escola belga e o feedback da professora e da Moving People  foram também um ponto importante neste processo. Assim, ao longo do tempo, consegui-me aperceber se o caminho que estava a seguir no meu estudo era o mais indicado ou se deveria mudar algo no meu processo de aprendizagem.

Ap√≥s a conclus√£o das aulas e obten√ß√£o do n√≠vel de neerland√™s foi-me proposta pela Moving People¬†¬†a realiza√ß√£o de nove entrevistas em lares na B√©lgica, as quais eu aceitei logo realizar. Estas entrevistas foram muito importantes, porque al√©m de contactarmos com a cultura belga, ficamos a conhecer tamb√©m as condi√ß√Ķes dos poss√≠veis locais onde poder√≠amos futuramente exercer fun√ß√Ķes. O n√ļmero elevado de entrevistas foi um pouco desgastante mas tamb√©m uma mais-valia para mim, pois com o decorrer destas entrevistas fui melhorando o meu discurso perante os respons√°veis dos lares. Durante esta curta perman√™ncia na B√©lgica estive sempre acompanhada por colegas enfermeiras e tamb√©m por representantes da Moving People¬†. Estes √ļltimos acompanharam-nos e orientaram-nos nas entrevistas e disponibilizaram-se a mostrar um pouco da cultura belga.

Aproximadamente uma semana ap√≥s as entrevistas fui seleccionada para um dos lares, juntamente com uma colega enfermeira. Depois de um longo per√≠odo iniciado em Maio de 2012 com as aulas de neerland√™s, esta foi sem d√ļvida mais uma etapa do processo de recrutamento que me deixou muito feliz. Assim em Dezembro deste mesmo ano j√° estava a trabalhar num lar belga.
Após a chegada à Bélgica, agora de um modo mais permanente, tivemos apoio de um representante da Moving People  que nos levou ao local de trabalho e também nos ajudou na compreensão de alguns documentos.

Até ao momento estamos a viver numa casa de um casal, mas em Fevereiro iremos mudar para um apartamento com boa acessibilidade ao lar. Os colegas enfermeiros do lar, residentes, familiares, representantes da instituição e outros profissionais têm-nos ajudado muito neste processo de integração. A barreira linguística é muitas vezes ultrapassada pela compreensão e colaboração destas pessoas. Este é um ponto muito positivo nesta fase. Sempre que temos alguma dificuldade estão prontos a ajudar. No entanto e naturalmente, tenho ainda dificuldades em me expressar ou compreender os outros. Porém esta situação vai-se resolvendo com o tempo. O dia-a-dia na Bélgica também me permite melhorar em muito este aspecto.

A Moving People¬†¬†apresenta tamb√©m a sua disponibilidade para o necess√°rio em todo este processo. Os representantes belgas e portugueses desta institui√ß√£o v√£o contactando connosco e com o lar para nos ajudar com poss√≠veis problemas, d√ļvidas ou outras situa√ß√Ķes.

Até ao momento estou contente com este processo, pois permite-me estar neste momento a exercer enfermagem.

Bélgica FlamengaFátima Neiva

Quando terminei a minha Licenciatura em enfermagem no ano de 2011, j√° eram escassas as oportunidades de trabalho nesta √°rea em Portugal. No entanto, n√£o me deixei vencer pelas contrariedades do panorama nacional e enviei o meu Curr√≠culo para v√°rias Institui√ß√Ķes de Sa√ļde portuguesas. Por√©m o tempo foi passando e eu n√£o conseguia obter qualquer resposta nem positiva, nem negativa √†s minhas candidaturas. Desta forma, a emigra√ß√£o parecia ser a solu√ß√£o para este problema. Assim, e juntamente com uma colega de curso, decidimos procurar oportunidades no estrangeiro atrav√©s de Ag√™ncias de Recrutamento.

J√° tinha ouvido falar da Moving People¬†atrav√©s de colegas de curso mais velhos e decidimos ent√£o ver quais eram as condi√ß√Ķes que esta Ag√™ncia de recrutamento nos oferecia e compar√°-las com outras Ag√™ncias. De facto, pude nesse momento constatar o grande apoio que a Moving People¬†¬†oferecia, nomeadamente em termos de documenta√ß√£o e legaliza√ß√£o no futuro pa√≠s de emigra√ß√£o. No entanto, naquele momento a MP recrutava apenas enfermeiros para a aparte Flamenga da B√©lgica, onde a l√≠ngua nativa √© o Neerland√™s (Holand√™s). Como, n√£o tinha qualquer familiaridade com esta l√≠ngua, fiquei um pouco indecisa, sem certezas se deveria ou n√£o prosseguir com a ideia de emigrar para a B√©lgica. Mas, logo me foi esclarecido que teria oportunidade de efectuar um curso lingu√≠stico intensivo de 150 horas e focada na √°rea da sa√ļde. Realmente, este foi o aspecto que mais me atraiu nesta Ag√™ncia de Recrutamento, visto que nenhuma outra oferecia um curso lingu√≠stico com tantas horas de aprendizagem.

Ap√≥s o envio do meu Curr√≠culo para a Moving People¬†¬†e de alguns contactos atrav√©s da internet e do telefone, foi realizada uma conversa de esclarecimento via Skype com um dos representantes da MP. Atrav√©s desta conversa obtivemos uma explica√ß√£o minuciosa das condi√ß√Ķes oferecidas e quais seriam as etapas do processo de recrutamento. Foram ainda pedidos alguns documentos, que seriam essenciais para dar in√≠cio a todo este processo.

Quando consegui reunir os documentos pedidos, foi agendado um encontro em Viseu na sede da Moving People¬†¬†Portugal. Este encontro, no meu entender, veio mostrar a seriedade desta Ag√™ncia para com as pessoas que estavam a recrutar, pois tive a oportunidade de conhecer pessoalmente os representantes da Moving People¬†. Foram-nos ainda fornecidos os contactos telef√≥nicos de cada um dos representantes, os quais serviriam para comunicar com a equipa da MP de forma mais c√©lere e para esclarecer quaisquer d√ļvidas.

No contacto seguinte, a MP informou-me sobre o in√≠cio do curso de Neerland√™s, que acabou por ser prolongado para as 220 horas Este curso foi leccionado via skype, 2 horas por dia e de segunda a sexta-feira. Foi um curso bastante intenso que durou 6 meses. Nas aulas t√≠nhamos oportunidade de ouvir, falar, ler e escrever em Neerland√™s. Mas sem d√ļvida que teve que haver um grande esfor√ßo individual e muito estudo aut√≥nomo. S√≥ desta forma √© que se consegue um n√≠vel lingu√≠stico suficiente para se dar in√≠cio √† face de contactos com os empregadores.

Ao longo destes meses de curso linguístico, o meu nível de neerlandês foi sendo avaliado por uma Escola Belga que tem parceria com a Moving People . No meu primeiro teste com esta escola, o nervosismo era grande, tal como a vontade de mostrar que era grande o esforço que estava a fazer na aprendizagem desta nova língua. Contudo, o resultado desta minha primeira avaliação ainda não atingia o nível mínimo exigido. No entanto, o curso de Neerlandês estava longe de acabar e, por isso, ainda tinha muito caminho a trilhar e muito poderia ainda evoluir. Esse foi o meu pensamento ao longo do curso. Tentar esforçar-me ao máximo. Para atingir os resultados pretendidos, foi essencial o apoio e ajuda quer da professora que leccionava o curso, como das outras três colegas com as quais estava a ter o curso, bem como por parte da Moving People  que forneceu material de estudo.

Por fim, consegui atingir o n√≠vel m√≠nimo de Neerland√™s e fui, juntamente com mais 3 colegas √† B√©lgica realizar 9 entrevistas de emprego para Lares. Foram quatro dias muito intensos, mas como eram muitas entrevistas, fez com que estivesse menos nervosa, visto que maiores seriam as hip√≥teses de conseguir ser aceite em pelo menos um das Institui√ß√Ķes. Durante esta viagem, pude ainda contar com o acompanhamento de elementos da Moving People¬†¬†B√©lgica, que acompanharam o grupo em todas as entrevistas e praticamente em toda a estadia na B√©lgica. Como estes tamb√©m possu√≠am conhecimentos de portugu√™s, tornaram-se ainda um grande apoio em termos lingu√≠sticos.

Para mim esta oportunidade de fazer as entrevista em territ√≥rio belga, foi uma boa experi√™ncia j√° que me proporcionou a oportunidade de entrar em contacto com a realidade do sistema de sa√ļde belga e conhecer as condi√ß√Ķes de trabalho de cada Lar. Tive ainda a oportunidade de colocar em pr√°tica os meus conhecimentos de Neerland√™s.

Menos de uma semana ap√≥s a minha viagem √† B√©lgica, j√° tinha uma proposta de trabalho de um dos Lares visitados. Felizmente essa proposta de trabalho foi dirigida n√£o apenas a mim, como tamb√©m √† minha colega com quem me tinha inscrito conjuntamente na Moving People¬†, e com a qual tamb√©m fiz o curso de Neerland√™s. Em menos de 1 m√™s, fomos para a B√©lgica trabalhar, mas durante esse tempo de espera, n√£o fiquei parada. A MP proporcionou outro curso de Neerland√™s, agora com uma professora belga, de forma a n√£o esquecer o que j√° tinha aprendido at√© ali. Durante este curso, entre outros aspectos, foi dado muito enfoque √† pron√ļncia e capacidade de construir di√°logos, principalmente em situa√ß√Ķes de trabalho e relacionadas com a √°rea da sa√ļde.

Relativamente √† mudan√ßa definitiva para a B√©lgica, posso afirmar que os belgas s√£o imensamente hospitaleiros. Todos aqui fazem quest√£o em mostra-me tudo, desde as lojas mais econ√≥micas para comprar roupa e alimentos at√© ao funcionamento dos transportes p√ļblicos na B√©lgica. Est√£o sempre preocupados comigo e prontos a ajudarem. Ainda n√£o me mudei para o alojamento definitivo, mas v√°rias foram as pessoas que me ofereceram m√≥veis, lou√ßa, entre outras coisas. At√© agora tenho vivido num alojamento tempor√°rio, em casa de um casal muito simp√°tico e atencioso.

No que diz respeito ao trabalho no Lar, a minha maior dificuldade √© sem d√ļvida a l√≠ngua e visto que aqui na B√©lgica existem muitos dialectos, torna as coisas um pouco mais complicadas. Contudo, desde os colegas de trabalho at√© aos residentes do Lar, todos entendem a minha situa√ß√£o e tentam falar um pouco mais devagar e de forma clara para que eu os possa entender. Em termos de condi√ß√Ķes, o Lar est√° muito bem equipado e as instala√ß√Ķes s√£o modernas. A informa√ß√£o sobre os residentes est√° praticamente toda informatizada. Relativamente √†s tarefas de um enfermeiro s√£o praticamente iguais √†s tarefas de um enfermeiro em Portugal. Contudo, eu trabalho num Lar e n√£o num Hospital, ou seja, estou em contacto com pessoas relativamente saud√°veis. E, assim sendo, s√£o espor√°dicas as oportunidades que tenho para realizar t√©cnicas mais invasivas. Aqui as tarefas de um enfermeiro passam pela prepara√ß√£o e administra√ß√£o de medica√ß√£o, avalia√ß√£o de sinais vitais, avalia√ß√£o de glicemia, cuidados de higiene e conforto, posicionamento e ajuda na deambula√ß√£o e alimenta√ß√£o dos residentes.

At√© agora este primeiro m√™s na B√©lgica est√° a superar as minhas expectativas. Aqui sinto-me muito acarinhada e valorizada. Ainda h√° muito a fazer e a melhorar, mas sinto-me com confian√ßa. Sem d√ļvida que s√£o muitas mudan√ßas e nem sempre √© f√°cil, mas pude sempre contar com o apoio quer por parte dos respons√°veis do Lar, quer por parte da Moving People¬†.

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