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Leila | Uma enfermeira portuguesa em Sion | Suiça


Colocado por | Novembro 14, 2013 | Testemunhos de Migração

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O meu nome √© Leila Rasc√£o, sou natural de Sion (Su√≠√ßa), onde completei o 5¬ļ ano de escolaridade. No entanto, cresci no Algarve, em Albufeira.

Sempre fui boa aluna, muito atenta nas aulas e a atrac√ß√£o pela √°rea da sa√ļde esteve sempre presente.

Desde que me conheço que assistia apaixonadamente a tudo o que dizia respeito aos serviços de urgência na televisão. Penso ter herdados alguns genes da minha avó paterna que foi enfermeira durante 41 anos, hoje reformada.

Porquê a Suíça ?


Porque não me era totalmente desconhecida e já falava francês.

Como se processou a escolha do local de trabalho ?


Depois de três anos a trabalhar como enfermeira num serviço polivalente de medicina e cirurgia no Algarve, e visto a falta de oportunidade para trabalhar no serviço que sempre ambicionei (Urgência), decidi tentar desenvolver a minha carreira no país em que nasci.
Mudei-me, ent√£o, em Abril de 2012 depois de ter vindo a uma entrevista em Mar√ßo do mesmo ano e ter, inclusiv√©, feito um est√°gio de um dia na institui√ß√£o. No entanto, vim sob influ√™ncia de um contrato oral com in√≠cio de fun√ß√Ķes em Maio de 2012, que nunca aconteceu. Por sorte e interfer√™ncia de uma amiga c√° residente, fui a uma entrevista ao hospital central do cant√£o ‚ÄďH√īpital de Sion (ao qual j√° tinha enviado dois curricula, ambos com resposta negativa) onde fui aceite para enfermeira ¬ę pooliste ¬Ľ. Este posto tem por objectivo substituir os (as) enfermeiros(as) escalados (as) de um servi√ßo que n√£o possam apresentar-se por algum motivo. Trata-se de um posto muito diversificado e enriquecedor mas tamb√©m muito exigente devido aos conhecimentos que se deve ter das v√°rias especialidades m√©dicas e cir√ļrgicas. Neste caso concreto, trabalhava √† hora e por vezes acontecia de n√£o saber se iria trabalhar no dia seguinte. Em suma, s√≥ trabalhava se precisassem de mim. O valor hor√°rio √© aumentado nesta situa√ß√£o porque engloba j√° as f√©rias, as folgas e feriados. Eu aceitei tudo o que me propuseram durante os 4 meses em que trabalhei neste sistema.

Haute-Nendaz, pr√≥ximo de uma est√Ęncia de esqui

Haute-Nendaz, pr√≥ximo de uma est√Ęncia de esqui

Findo estes, entrei para o servi√ßo de Urg√™ncia do hospital central da regi√£o ‚Äď o Hospital de Sion. A√≠ fiquei at√© ao momento actual (nota : em Dezembro de 2013, regressarei a Portugal por motivos conjugais – o meu namorado n√£o encontrou trabalho durante os 9 meses que c√° esteve e tinha emprego em Portugal). Portanto, n√£o foi uma escolha, foi o que me propuseram e eu aceitei. Actualmente n√£o √© nada f√°cil entrar num hospital pela via normal (recursos humanos com candidatura espont√Ęnea), uma ¬ę ajuda ¬Ľ √© bem vinda e pode fazer a diferen√ßa.

E a adaptação ?

Se for a fazer um balanço da minha permanência na Suíça, devo alertar os colegas que pensam emigrar que este processo não é nada fácil. Deixamos a nossa zona de conforto e aventuramo-nos no desconhecido. Deixamos família, amigos e hábitos para trás.
Na Su√≠√ßa, a vida √© muito cara e h√° encargos mensais elevados (a renda, o seguro pessoal de sa√ļde, despesas relativas a carros se c√° os adquirirem), embora o sal√°rio de um enfermeiro seja mediano em rela√ß√£o a outras profiss√Ķes. No entanto, o meu sal√°rio chega bem para isso tudo mas n√£o posso fazer mais nada. Ou seja, vivo como uma emigrante e √© isto que as pessoas t√™m que ter no√ß√£o. Ou se faz vida de emigrante e se junta um bom ¬ę p√© de meia ¬Ľ ou ent√£o ganha-se para gast√°-lo todo. Cada um sabe das suas prioridades e n√£o √© censur√°vel por assumir nenhuma das duas.

Confirmas que existe uma diáspora de enfermeiros portugueses já visível na Suíça?

Vista de um chalet típico em Nendaz

Vista de um chalet típico em Nendaz

Fiquei espantada com a quantidade de enfermeiros portugueses presentes neste hospital assim como nos outros da rede hospitalar desta região. Fala-se português nos corredores e até sinto alguma empatia entre os enfermeiros portugueses deste hospital, independentemente do serviço em que se encontrem. Não nos sentimos muito desenquadrados por cá porque a comunidade portuguesa em sion é enorme.

Satisfeita com a opção ?

Na Suíça aprendi a ser valorizada e a ter direitos que em Portugal não se sonha ter nem daqui a muito tempo. Mas depois, a questão é : somos felizes cá fora ? Eu não o fui completamente e privo-me de coisas que em Portugal nem penso negar-me como tomar café, ir a um cinema ou jantar fora (modestamente). Por isso, caros colegas, se pensam em sair do país, informem-se muito bem do que vão encontrar lá fora e perguntem-se se a saudade do que é nosso vale mesmo a nossa partida. Eu regresso com consciência do que vou viver (e não nego que me mete medo) mas prefiro viver com menos e viver melhor do que com muito e não poder aproveitá-lo. Sejam felizes!

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