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brisbane

Por Ricardo Barbosa, Brisbane

Indo de encontro √†s quest√Ķes de muitos que n√£o encontram resposta em Portugal para aquilo¬†que tanto trabalharam nos anos do curso de enfermagem, e pensam agora em outras possibilidades, tais como sair de Portugal, espero poder satisfazer a vossa curiosidade e de algumaforma poder ajudar a que tomem a melhor decis√£o poss√≠vel para o vosso futuro.

Dos muitos países onde a procura de enfermeiros excede a oferta, Austrália é talvez o mais e o menos atractivo ao mesmo tempo. O menos atractivo porque 30 horas de viajem, é algo que não alicia ninguém, muito menos aqueles que não dispensam do conforto da família e dos amigos. E por isso uma decisão que nos pode tirar algumas noites de sono. E quanto a desvantagens não consigo encontrar nada de relevante que mereça ser referido.

No outro extremo, Austr√°lia √© sem d√ļvida um pa√≠s fabuloso. Aquando da minha decis√£o, o¬†meu conhecimento, n√£o passava da literatura e de algumas opini√Ķes de colegas¬†de profiss√£o com quem¬†convivi¬†durante 2 anos no¬†Reino Unido.

Não posso deixar de referir que o meu gosto por viajar e o meu interesse por outras culturas teve um grande peso na minha decisão. Como é compreensível, muitas duvidas se levantam nestas alturas, e decerto que a quem despertou o interesse em ler estas notas, sabe ao que eu me refiro. Penso que ter passado pela experiência de ter trabalhado noutro pais, neste caso mais perto do tal conforto dos nossos queridos, ajudou a derrotar essas duvidas e receios.

Uma nota, acerca desta decis√£o na minha vida, n√£o foi f√°cil, e aqueles que me acompanharam de perto sabem disso, levou a muitas frustra√ß√Ķes. Muito dinheiro em tradu√ß√Ķes e autentica√ß√Ķes. Muito tempo de espera, e algum tempo a contar os tost√Ķes do bolso… muitas vezes com a impress√£o de que o bolso estava furado.

Uma vez decidido, passei ao passo seguinte, e aqui espero poder esclarecer aqueles que ouvem noticias de boca em boca e por falta de informa√ß√£o tem um conhecimento errado de todo o processo, das condi√ß√Ķes do visa, do emprego…

Para trabalhar em qualquer um dos estados da Austr√°lia, o primeiro passo √© o registo na ordem dos enfermeiros desse estado, ¬†tendo em conta que as¬†regras variam de estado para estado. Tendo nascido e vivido¬†maior parte da minha vida num pais em que a primeira l√≠ngua n√£o √©¬†o ingl√™s, √© certo que um exame de ingl√™s vai ser exigido, a n√£o ser que se apresente experi√™ncia de trabalho comprovada num pais¬†em que a l√≠ngua oficial √© o ingl√™s. Foi o meu caso. Mas o mais certo √© contar com o exame. H√° v√°rios que podem ser feitos, e¬†n√£o h√° um melhor do que outro, o importante e obter a classifica√ß√£o exigida pela ordem, diferentes exames tem diferentes classifica√ß√Ķes, no site da ordem encontram qual a classifica√ß√£o exigida para cada um deles. ¬†No meu caso¬†optei por fazer o¬†International¬†English Language Test System mais conhecido por IELTS, que consiste em 30min a ouvir um texto e a responder as respectivas perguntas (listening), 1h¬†de¬†leitura e interpreta√ß√£o de¬†3 textos (reading), ¬†1h de escrita, dois textos um de 150 palavras um relat√≥rio ou interpreta√ß√£o de um gr√°fico e outro de 250 palavras¬†um coment√°rio sobre um qualquer assunto da actualidade. Seguidos de 15mins numa entrevista, com perguntas de resposta r√°pidas e outras a pedir algum desenvolvimento.

Dependendo da profiss√£o, pode ser requerido classifica√ß√Ķes diferentes, de 0 a 9 no nosso caso temos que atingir 7 de m√©dia e como nota m√≠nima em cada uma das partes do exame 6,5. De referir que muitos nativos da l√≠ngua n√£o atingem o 9, normalmente s√≥ universit√°rios. Por isso para aqueles que tem alguma d√ļvida em rela√ß√£o √† l√≠ngua, e prefer√≠vel¬†uma prepara√ß√£o pr√©via, do que perder alguns euros (n√£o s√£o poucos) no exame, ate porque dar√° mais confian√ßa, necess√°ria pois apesar de n√£o ser dif√≠cil, o tempo voa durante o exame. H√° dois tipos de exames, para n√≥s o que conta √© o acad√©mico, o mais dif√≠cil.

Depois de uma s√©rie de tradu√ß√Ķes, tudo o que tenho est√° traduzido por tradutores oficiais e autenticado pelo British Council no Porto, o que n√£o fica barato, come√ßa o processo de registo¬†na ordem. Em rela√ß√£o¬† √† documenta√ß√£o necess√°ria: curr√≠culo (aconselho a passar os olhos por algum curr√≠culo ingl√™s), curr√≠culo¬†universit√°rio, passaporte, carta da ordem em que est√£o inscritos, possivelmente registo criminal,¬†fotocopia de passaporte. Tudo pode ser encontrado no site da ordem do estado a que se candidatam, no meu caso QNC (Queensland¬†Nursing Council). N√£o posso tecer coment√°rios em rela√ß√£o a outros estados mas Queensland √© possivelmente o estado em que a delonga do processo burocr√°tico √© mais demorada, simplesmente pelo facto de que existem muitas aplica√ß√Ķes a decorrer ao mesmo tempo. Uma boa noticia √© que talvez no final do ano, as ordens se agreguem e n√£o seja necess√°rio passar pelo processo todo outra vez se por ventura mudar de cidade, para um estado diferente.

Entretanto, se a vontade ainda não esmoreceu, pois vão passar meses, sem qualquer resposta, a procura de emprego pode e deve começar de forma a acelerar o processo. Para isto aconselho uma agência. O que eu fiz foi perguntar na ordem dos enfermeiros, instituição credível, qual a melhor agência para me ajudar, de entre tantas que existem. A Oxley foi-me recomendada e posso dizer que foi uma ajuda preciosa. Podem começar por procurar uma agência primeiro, de forma a terem alguma ajuda com a ordem. Não há qualquer gasto, da nossa parte, em estar ligado a uma agência, antes pelo contrário, só nos facilitam o processo, e aconselham de forma termos menos gastos.

Quer a op√ß√£o seja a procura de emprego atrav√©s da net ou atrav√©s de uma ag√™ncia, recomendo uma ag√™ncia, depois do registo na ordem dos enfermeiros, a fase seguinte √© a procura de emprego. ¬†Devo referir que o registo na ordem¬†¬†ser√° apenas tempor√°rio, com a dura√ß√£o de 3 meses, em que exercer√£o sobre a supervis√£o de algu√©m j√° registado, na pratica n√£o passa de papelada, e estar√£o a trabalhar a 100%, mas s√≥ no final desses 3 meses e que poder√£o exercer sem limita√ß√Ķes. Devido a grande car√™ncia de enfermeiros, essa procura deve ser frut√≠fera em pouco tempo, especialmente se no vosso curr√≠culo apresentarem alguma experi√™ncia profissional, e como √© de esperar √© muito mais f√°cil encontrar emprego em grandes aglomerados, Sydney, Melbourne, Camberra, Brisbane, Perth (todas estas cidades s√£o as capitais de diferentes estados, por isso ordens de enfermeiros diferentes, com possibilidade de diferentes requisitos), mas para aqueles que queiram experimentar a verdadeira cultura Australiana, e viajar por s√≠tios remotos e onde a natureza prevalece, existem imensas possibilidades.

Para al√©m da apresenta√ß√£o do n√ļmero da ordem e do curr√≠culo profissional √© imprescind√≠vel 2 refer√™ncias profissionais, para quem ainda n√£o come√ßou a trabalhar, n√£o estou certo, mas talvez tenha que recorrer a 2 professores. Se isto for do agrado da entidade empregadora, passar√£o a fase seguinte onde ser√£o entrevistados pelo clinical manager do servi√ßo a que se candidatam. Correndo bem, passa s√≥ faltar o visa, que ser√° mais 4 a 5 meses.

A¬†raz√£o pela qual deixei o visa para o fim, foi simplesmente porque foi assim¬†comigo. H√° diferentes tipos de visa, e poder√£o encontrar toda a informa√ß√£o necess√°ria no site¬†www.immi.gov.au. Existindo tamb√©m ag√™ncias que vos podem ajudar com todo este processo, mas n√£o acho que seja necess√°rio. De todos os visas que encontrar√£o no site, existem dois¬†diferentes que s√£o os mais utilizados pelos profissionais de sa√ļde. O primeiro Working visa holiday, com a dura√ß√£o de¬†12¬†meses,¬†e mais favor√°vel para quem¬†n√£o est√° a pensar ficar muito tempo no pais, e quer aproveitar ao m√°ximo a estadia, s√≥ lhe e permitido trabalhar por 3 meses em cada local de trabalho. O segundo sub-class 457, ou sponsered visa, a meu ver a melhor op√ß√£o, ¬†pois o hospital¬†patrocina todas as despesas com o visa a troco do compromisso de um ano de contracto, se por acaso, este compromisso terminar ter√£o que¬†deixar o pais. Tal como na ordem dos enfermeiros, o contrato com o hospital √© experimental nos primeiros 3 meses. N√£o havendo, √† partida, problemas no final desses 3 meses, assim como no final dos 12 meses a impossibilidade de renova√ß√£o √© praticamente inexistente. H√° outras possibilidades de visa, mas ter√° que haver algum investimento monet√°rio da vossa parte.

Sei que parece um processo moroso e nada atractivo, e garanto-vos que é certamente bastante frustante, mas pessoalmente gosto de olhar para estas alturas mais difíceis como um investimento que mais tarde dera os seus frutos. Posso-vos assegurar que a colheita está a ser boa.

Quanto a minha experi√™ncia pessoal, estou a viver em Brisbane (www.ourbrisbane.com), uma cidade que estou a adorar, e pelos vistos n√£o sou o √ļnico, para quem gosta de n√ļmeros, aquando da minha chegada o fluxo de pessoas, tanto estrangeiros como australianos, era de 900 pessoas por semana, penso na altura¬†uma das¬†cidade com maior crescimento populacional no mundo, e sem d√ļvida a maior na Austr√°lia. Sendo a maior em termos de espa√ßo territorial, levando a que n√£o pare√ßa uma grande cidade pois esta espalhada, n√£o havendo, aparte as principais ruas, espa√ßos com grandes¬†edif√≠cios, prevalecendo as casas t√©rreas. Dominada por espa√ßos verdes, e serpenteada por um rio onde se avistam golfinhos. Para muitos, comparada com Sydney e Melbourne n√£o √© t√£o atractiva, n√£o tem tanta variedade cultural. Mas como em tudo, as opini√Ķes divergem, e eu considero-me um sortudo por ter aterrado aqui. A principal raz√£o desta escolha foi o clima, praticamente sem inverno, com uma temperatura¬†entre os 20-30 graus praticamente todo o ano. ¬†Por exemplo, hoje esta¬†um excelente dia de inverno, 25 graus. O grande sen√£o deste clima¬†√© a falta de √°gua, um dos grandes problemas com que a Austr√°lia se debate, sendo o estado de Queensland, particularmente a zona de Brisbane a parte que mais sofre com a seca, levando a que o governo tome alguns decis√Ķes restritivas quanto ao consumo de agua. Pessoalmente, acho que todos dever√≠amos pensar nisso.

Culturalmente há diferencias entre os australianos e outras culturas, mas penso que isso haverá sempre, o nosso pais é sempre o nosso pais, independentemente de todas as críticas que lhe possamos fazer. Na generalidade, é um povo muito simpático, mas da minha experiência como emigrante, e depois de conversar com muita gente sobre o assunto,  não é fácil, começar uma vida num pais diferente, leva muito tempo a conhecer as pessoas, e a que elas se abram mais. Mesmo num pais em que existe uma percentagem enorme de emigrantes.

Quanto √† experi√™ncia profissional, pela qualidade que nos √© exigida, e pelo que nos √© oferecido pelo hospital, pelas condi√ß√Ķes que os doentes t√™m, eu n√£o voltaria a trabalhar em Portugal, caso a minha decis√£o fosse meramente¬†Portugal. ¬†Como disse anteriormente, a car√™ncia de profissionais de sa√ļde √© muito grande, e isso limita a presta√ß√£o de cuidados. ¬†Ser√£o mais do que bem-vindos, caso fa√ßam o tal investimento.

H√° certamente diferen√ßas, entre enfermagem portuguesa e australiana, assim como¬†as senti quando trabalhei no Reino Unido, mas nada que a nossa forma√ß√£o de base n√£o nos permita ultrapassar. √Č um grande enriquecimento tanto pessoal como profissional, experimentarmos situa√ß√Ķes diferentes.

Para muitos a grande questão é sempre, a parte monetária, acho que para enriquecer temos que mudar de profissão. Aqui consigo ter uma boa qualidade de vida, consigo, fazer aquilo que gosto.

Espero que de alguma forma, para aqueles que estão cheio de duvidas, pelo menos algumas delas se dissiparam,  a grande parte delas temos que ser nos a passar pela experiência. Para aqueles, que foi uma mera satisfação de algumas curiosidades, espero sinceramente que a situação em Portugal melhore. Para os atrevidos e audazes, que por ventura, aceitem enfrentar o desafio talvez nos encontremos um dia aqui Down Under.

Artigo originalmente publicado em http://forumenfermagem.org/index.php?option=com_content&view=article&id=3587:emigrar-para-a-australia&catid=219:marco-a-abril-2011
O enfermeiro Ricardo continua a viver e a trabalhar em Brisbanne.

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At a time when unemployment reaches record levels in Portugal and that emigration seems to have returned to values ‚Äč‚Äčrecorded in the last century, there are many nurses who try their luck abroad. The Nurse. ¬į Ana Isabel Diogo Lopes and enf ¬į Bai√£o are examples by choosing to work in a German home.

The language starts to be the biggest hurdle, but ended up becoming a huge asset. Being the “economic engine” of Europe, Germany has demonstrated considerable resistance to the crisis and therefore remains an important pole of attraction work. Furthermore, the countries of Germanic influence become, themselves in potential destinations.

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Ana Rodrigues, enfermeira

 

8 meses depois…‚Ä®‚Ä®Ando h√° meses para escrever sobre esta experi√™ncia… Trabalhar e viver na Ar√°bia Saudita…!

Parece tema de conversa para horas e horas, e dias, mas na realidade n√£o √© para tanto!‚Ä®‚Ä®Falaram-me do choque cultural, e das diferen√ßas que ia encontrar na vida social; e claro que √© diferente, mas honestamente esperava mais restri√ß√Ķes, mais sacrif√≠cios, mais dificuldades… E n√£o!‚Ä®‚Ä®Em “casa”…

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