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Ricardo Silva | Enfermeiro no UK | Sem d√ļvida recomendo este pa√≠s de olhos fechados!


Posted by | December 14, 2013 | Migration Testemonies

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O meu nome √© Ricardo Silva, e perten√ßo √† gera√ß√£o de 1988. Nascido no Ribatejo, em Santar√©m, local onde me formei enquanto enfermeiro. Decis√£o esta tendo em conta as potencialidades da classe como um bem de primeira necessidade, n√£o s√≥ em Portugal, como por todo o mundo. Sou lutador, orgulhoso e planeador. Gosto de pensar no futuro, e questionar-me sobre todas as op√ß√Ķes envolventes.

Sou enfermeiro por adorar o relacionamento humano conjugado com a doen√ßa. Feito isto, sou emigrante desde os meus 23 anos, enfermeiro de cuidados intensivos 6 meses depois. Exer√ßo fun√ß√Ķes no primeiro hospital p√ļblico brit√Ęnico com 100% de quartos privados, em Royal Tunbridge Wells, Inglaterra.

Porque a Inglaterra?

Sempre equacionei ir para o estrangeiro. Não só depois do curso mas também antes do curso. Há muitas realidades que devíamos experimentar, e essa oportunidade tornou-se real quando terminei o curso. Embora trabalhasse em Portugal, numa unidade de cuidados continuados, o trabalho não era gratificante, as viagens muito cansativas e não se sentia realizado. Equacionei todos os países que na altura procuravam enfermeiros, como os países de língua francesa e inglesa. Numa perspectiva futura, arrisquei Inglaterra, pelas potencialidades universitárias pós licenciatura, mobilização entres hospitais e o principal, a língua visto que existem muitos países extra europeus que abraçam este idioma, caso a Europa não tolere a crise.

Como se processou a escolha do local de trabalho?

A escolha de local de trabalho vem de acordo das necessiades do pa√≠s, no meu caso do NHS (SNS de UK). O hospital que necessita de enfermeiros contacta uma ag√™ncia, essa ag√™ncia anuncia pela internet, vem a portugal com dois respons√°veis do hospital, entrevista os enfermeiros que enviaram o curr√≠culo e contracta um determinado n√ļmero de pessoas. Depois a ag√™ncia marca um dia para viajarmos todos, arranjam-nos alojamento para as primeiras semanas e assim que come√ßamos a trabalhar, deixamos de ser dependentes da ag√™ncia. √Č bastante directo, e apenas nos temos que deixar levar pela corrente.

E a adaptação?

Como qualquer país, a adaptação pode ser complicada. Actualmente, Inglaterra pode ser um dos países mais fáceis em termos de adaptação, em conjunto com a França talvez, uma vez que tem todos os sítios se houve uma palavra em português. Há dois anos quando vim, tive sorte de ter 3 portugueses no meu serviço que me apoiaram. Hoje, temos pelo menos, 3 portugueses em cada serviço do meu hospital. No bloco operatório somos 20. No total ultrapassamos os 130. Somos muito acolhedores, o que torna tudo mais acessível. O facto de Inglaterra ser um dos países mais multicultural da europa faz com que a maior parte das pessoas com quem te relacionas vieram de outros países, pelo que compreendem a tua inexperiência e ajudam-te no que podem. O mais complicado de suportar é o facto de às 16h todas as lojas estarem fechadas, o que nos faz levantar cedo para aproveitar o dia.

Quais os principais constrangimentos encontrados, ao nível social e profissional?

Posso dizer que o facto de toda a legisla√ß√£o ser diferente, em conjunto com a l√≠ngua torna tudo um pouco complicado. O pa√≠s √© rigido, controlador e √© muito complicado escapar a alguma coisa. As rendas das casas tamb√©m s√£o altiss√≠mas, e para vir c√° √© preciso muito dinheiro para as primeiras semanas. A l√≠ngua foi umas das coisas que mais receavas mas tornou-se bem f√°cil de ultrapassar. No entanto, algumas express√Ķes brit√Ęncias como ‚ÄúSpend a penny (gastar um c√™ntimo)‚ÄĚ, que significa ir √† casa de banho, dificultaram o processo.
A n√≠vel profissional, apesar de virmos imensamente bem preparados de Portugal, os Hospitais exigem o certificado de alguns procedimentos, como algalia√ß√£o, puncionar, e tirar sangue, muito por ser ainda de acordo com o ensino de enfermagem brit√Ęnico. No entanto, pela seguran√ßa dos doentes e pela agita√ß√£o do servi√ßo, por vezes vimo-nos obrigados a ultrapassar o risco. Nos servi√ßos h√° muita papelada a tratar, especialmente de Servi√ßos Sociais, e s√£o os enfermeiros os respons√°veis pelo seu preenchimento. A enfermagem termina por ser semelhante √† de Portugal, mas com muito melhor qualidade e com mais dinheiro para gastar.
A nível de cuidados intensivos, somos muito poderosos com um budget enorme. Cuida-se com qualidade, um enfermeiro por doente, com um quarto privado por pessoa, com uma pessoa a circular para ajudar quem precisa. Investe-se em progressão universitária. Neste momento, 3 tiram a pós graduação (incluido eu), 1 faz o mestrado, e outros fazem artigos de investigação, tudo oferecido pelo hospital, em troca de mais um ano ou dois a trabalhar para aquele hospital.
A equipa √© excelente, m√©dicos respeitam enfermeiros e vice-versa, discute-se opini√Ķes, discute-se cuidados e de vez em quando bebemos cerveja todos juntos. H√° estatuto, mas n√£o t√£o acentuado como em Portugal, e eu adoro Inglaterra por isso.

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Confirmas que existe uma diáspora de enfermeiros portugueses já visível na Inglaterra?

Sim confirmo e volto a apoiar a mudan√ßa. Como disse anteriormente somos muitos naquele hospital, e todas as semanas, a agencia que me levou para Inglaterra leva mais um grupo para outro hospital. Para o meu hospital viemos em 5 grupos, cada um de 20 pessoas, e este m√™s chegou um sexto grupo. Em qualquer hospital de Inglaterra facilmente se encontra um portugu√™s a trabalhar l√°, sem sombra de d√ļvidas. Com o resto de emigrantes n√£o enfermeiros, principalmente na √°rea de Stockwell, em Londres, acredito que somos uma enorme comunidade, estando muito pr√≥xima √† da Fran√ßa.

Satisfeito com a opção?

Muito satisfeito. Trabalho no local que me d√° mais prazer, ganho dinheiro suficiente para viajar, tenho em conta que visito 3 pa√≠ses europeus e 1 pa√≠s fora da europa por ano, consigo ir a portugal todos os 2/3 meses, poupo dinheiro todos os meses, tenho um emprego muito est√°vel. Este ano consegui estar 15 semanas fora do UK, apesar dos 27 dias de f√©rias anuais. O pa√≠s √© lindo, com castelos, paisagems e lagos lindissimos. Para n√£o falar que √© um pa√≠s muito multicultural, pelo que se v√™ de tudo e se faz de tudo. Sem d√ļvida recomendo este pa√≠s de olhos fechados!

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