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Doença bipolar: o cérebro pode evitá-la em pessoas de risco


Posted by | August 22, 2017 | News

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Uma equipa de investigadores conseguiu identificar um mecanismo cerebral nos irmãos de pacientes com a doença bipolar, o qual os torna resilientes à doença.

Num estudo conduzido por investigadores da Faculdade de Medicina Icahn do Hospital Mount Sinai, EUA, foi observado que o cérebro parece ter a capacidade de se adaptar ao risco biológico da doença bipolar.

Esta descoberta poderá conduzir a novas formas de fazer aumentar a resiliência nos inpíduos que correm o risco de desenvolverem a doença e nos que já a têm.

A doença bipolar causa alterações pouco usuais no humor, níveis de atividade, energia e mesmo na possibilidade de se desempenhar tarefas rotineiras. Esta doença é normalmente hereditária, com os irmãos dos pacientes a apresentarem um risco 10 vezes maior de se tornarem também bipolares em relação à população geral.

Todavia, a maioria das pessoas que possuem um historial familiar de doença bipolar não desenvolvem a doença.

Para o estudo, os investigadores analisaram imagens de ressonâncias magnéticas de 78 pacientes com a doença bipolar, 64 de irmãos daqueles pacientes sem a doença e de 41 pessoas sem parentesco com outros participantes e que não tinham a doença.

Foi observado que os irmãos evidenciavam indícios genéticos de ligações anormais em regiões do cérebro relacionadas com a sensação e movimento e que foram associadas à doença bipolar noutros estudos.

No entanto, nestes participantes aquelas ligações anormais eram compensadas por uma hiperligação na rede de modo padrão cerebral (o chamado “default mode network”). A rede de modo padrão cerebral é uma rede de regiões do cérebro que interagem, com atividade altamente correlacionada e diferente de outras redes cerebrais.

Aquela hiperligação estava, no entanto, ausente nos participantes bipolares.

Face ao observado, Sophia Frangou, autora sénior do estudo explicou que “a maioria dos fatores de risco para a doença bipolar, incluindo o risco genético, adversidades no início da infância e trauma não são modificáveis”.

“Para contrastar, este estudo demonstra que o cérebro pode modificar as suas ligações para ultrapassar a adversidade biológica. Isto dá-nos a esperança que possamos controlar este potencial natural do cérebro para desenvolver intervenções preventivas”, concluiu.

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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