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É possível gerir uma infeção sem recorrer a antibióticos?


Colocado por | Maio 16, 2018 | Notícias

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Uma equipa de investigadores sugere que a adoção de uma estratégia ancestral das plantas de tolerar em vez de resistir a uma infeção poderá constituir uma oportunidade de desenvolvimento de novas estratégias para mitigar as consequências da infeção.

Historicamente, a visão adotada relativamente às infeções é a de eliminar o agente patogénico de forma a erradicar a doença.

Desde a descoberta da bactéria Mycobacterium tuberculosis (Mtb), responsável pela tuberculose há mais de 100 anos, foram feitos grandes progressos na eliminação das bactérias, como a revolucionária descoberta dos antibióticos. No entanto, mais de 90% dos pacientes com tuberculose conseguem tolerar a bactéria sem qualquer tratamento.

Maziar Divangahi e equipa de investigadores do Instituto de Investigação do Centro de Saúde da Universidade McGill, Canadá, considera que, efetivamente, a maioria dos pacientes infetados com Mtb conseguem tolerar a infeção sem desenvolverem a doença, algo a que se chama “tuberculose latente”.

A equipa descobriu que a tolerância do organismo à Mtb é o mecanismo chave para prevenir a disseminação da infeção. Os investigadores descobriram ainda que os níveis excessivos de células T, os soldados do nosso sistema imunitário, podem causar desequilíbrios na tolerância à doença, através de danos excessivos nos tecidos.

A defesa do nosso organismo é pidida em duas vertentes: uma é a resistência, que procura eliminar o agente patogénico e a outra é a tolerância, que controla os danos nos tecidos provocados pela infeção. O nosso conhecimento sobre a estratégia de tolerância nos humanos é muito limitado, disse Maziar Divangahi.

Os investigadores descobriram que a ciclofilina D (CypD), uma proteína presente nas mitocôndrias, funciona como um ponto de controlo fundamental da ativação das células T.

A equipa descobriu que a CypD é necessária para controlar o metabolismo das células T. No entanto, o aumento da ativação das células T através da eliminação súbita do ponto de controlo compromete a sobrevivência do hospedeiro sem qualquer impacto sobre o crescimento da Mtb.

“Em contraste com a lógica convencional, demonstrámos que as células T são essenciais na regulação da tolerância do organismo à infeção por Mtb”, explicou Nargis Kahn, coprimeira autora do estudo.

Devido à resistência generalizada de várias estirpes de Mtb aos fármacos, são necessárias novas abordagens para tratar a tuberculose. Os autores consideram que se for possível perceber os mecanismos subjacentes à imunidade natural que controla a tuberculose em 90 a 95% dos pacientes infetados, poder-se-á desenvolver novos tratamentos ou uma vacina.

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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