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Entrevista a Carla Machado | Auxilia Recrutement


Colocado por | Setembro 12, 2016 | Parceiros

foto carla

Sou natural da Nazaré, vivo atualmente na região de Paris.

Tenho 39 anos, sou casada. Licenciada em Relações Internacionais pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e Mestre em Marketing Relacional pela Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Leiria. Iniciei a minha vida profissional como técnica de Relações internacionais no departamento de cooperação internacional da Nerlei – Associação Empresarial da Região de Leiria, onde trabalhei 5 anos na área da internacionalização de empresas. Aceitei posteriormente um convite para assessora do conselho de Administração da Leirisport – Desporto, Lazer e Turismo de Leiria, empresa municipal responsável pela gestão das infra estruturas de desporto, lazer e turismo do Concelho de Leiria, onde fui responsável pela criação e desenvolvimento do departamento comercial. Esta experiência durou um pouco mais de 7 anos. Por razões de natureza política a empresa foi extinta e assumi, um pouco antes, o cargo de Relações Públicas numa empresa de restauração e catering de Leiria. Em 2012 mudei-me para a região de Paris, por razões pessoais, mas também pelo desafio de viver num outro país e desenvolver competências numa outra língua.

Emprego Saúde – Quando e como começou a trabalhar na área de recrutamento?
Carla Machado – Quando me mudei para França surgiu a possibilidade de integrar uma empresa de recrutamento internacional, a Riviere Consulting e em Outubro de 2012 iniciei funções como responsável pelo recrutamento em Portugal na área da saúde, concretamente de médicos especialistas. Posteriormente, fui convidada por colegas franceses para criar a Auxilia Recrutement, empresa da qual sou sócia e consultora desde há 3 anos. Nunca tinha anteriormente trabalhado na área do recrutamento internacional e o início de funções na área foi fruto do contexto da mudança para França e da oportunidade profissional que me surgiu na altura.

Emprego Sa̼de РQuais ṣo as oportunidades e amea̤as neste momento para um profissional de sa̼de que queira migrar?
Carla Machado – Em França há uma carência significativa de profissionais de saúde, frutos de opções que foram tomadas na década de 70 e que resultaram num corte drástico dos numeros clausus de entrada em medicina. No início da década de 70 entravam cerca de 8.500 alunos para medicina e nas duas décadas seguintes esse número chegou a ser de 3.500. Considerando que a população em França continuou a aumentar, considerando o aumento da idade média da população e o acréscimo de necessidades de cuidados de saúde e tendo também em linha de conta que a idade média dos médicos em França é elevada, o número de médicos formados durante muito tempo não foi o suficiente para fazer face às necessidades atuais da população. Neste contexto, há zonas de França muito carenciadas de cuidados de saúde primários, falando-se de uma verdadeira penúria de médicos e há áreas onde a procura por profissionais é muito significativa. Existe muita necessidade de médicos especialistas em áreas diversas como a anestesia, a oftalmologia, a medicina física e reabilitação, a psiquiatria, a pediatria, a medicina do trabalho, a medicina geral e familiar, otorrinolaringologia, entre outras. Há zonas de França onde é preciso aguardar 6 meses por uma consulta de oftalmologia. Também existem oportunidades diversas para médicos dentistas. Assim um médico especialista que pretenda prosseguir a sua carreira fora de Portugal encontra em França um leque de possibilidades diversas, tanto no sistema hospitalar público como no sistema privado. As remunerações são significativamente superiores às praticadas em Portugal e há um cuidado importante no acolhimento e integração destes profissionais. Há especialidades que em França conseguem obter rendimentos idênticos e até mesmo superiores aos praticados em países do médico oriente.

É contudo importante que estes profissionais se informem devidamente dos procedimentos e compreendam o tipo de exercício que lhes é proposto em França, pois neste país há uma preponderância da atividade em regime liberal que assume contornos diferentes da atividade liberal em Portugal. No que se refere à França, creio que compreender devidamente as vantagens e desvantagens do exercício em liberal será, provavelmente, o maior desafio para os médicos portugueses.

Já no que se refere aos médicos dentistas que enfrentam um contexto em Portugal de poucas oportunidades profissionais e de uma baixa considerável de rendimentos, estes podem encontrar em França um maior número de oportunidades, estabilidade de carreira e salários acima do salário médio francês.

Para poderem exercer em França os profissionais devem em primeiro lugar ter uma proposta de trabalho concreta e posteriormente solicitar a inscrição na respectiva Ordem. Não é possível iniciar funções sem a inscrição devidamente aceite e regularizada em França. O processo é, tanto no caso dos médicos dentistas como no caso dos médicos especialistas, burocrático e moroso, mas não é particularmente difícil. A grande exigência das autoridades francesas passa pelo domínio da língua francesa, sendo aconselhável e muitas vezes exigível o nível de língua B2.

Emprego Saúde – O Reino Unido tem sido um destino de eleição para profissionais portugueses. A Auxilia recruta para outros destinos como França. Que razões estão na base dessa escolha? 
Carla Machado – A Auxilia Recrutement é uma empresa francesa e recruta unicamente para território francês. Recrutamos para hospitais públicos, hospitais e clínicas privadas, centros de reabilitação e de reeducação funcional, entre outros. Não dominamos nem as necessidades de outros mercados nem os procedimentos burocráticos necessários para validação de competências e diplomas noutros países além da França. Consideramos que é importante conhecer a cultura francesa e o território francês para poder informar devidamente os profissionais que acompanhamos. Recrutamos em vários países da U.E, nomeadamente em Portugal, Itália, Espanha e Bélgica, mas unicamente para vagas disponíveis em território francês. Muitos candidatos optam pelo Reino Unido pois em Portugal há uma facilidade natural para com a língua inglesa, havendo também algum desconhecimento das oportunidades e necessidades que se verificam em França. Em muitas áreas da medicina, a França é dos países que oferece melhores rendimentos na Europa, facto que é desconhecido de muitos profissionais portugueses. A prestação de informação sobre as oportunidades e sobre o processo de reconhecimento de competências e diplomas em França também faz parte das nossas responsabilidades. O nosso objetivo é encontrar profissionais qualificados que correspondam às necessidades dos hospitais públicos e privados em França, mas o nosso dever também passa pela prestação de informação de forma responsável e séria.

Emprego Saúde – Que feedback obtém dos candidatos colocados e dos empregadores?

Carla Machado – Os profissionais portugueses estão muito bem vistos em França. A capacidade de adaptação a algumas diferenças na prática médica é reconhecida, assim como a implicação, a vontade de se integrarem nas equipas e nos meios onde se inserem. A formação destes é bem vista e bem recebida de uma forma geral, nomeadamente em áreas cirúrgicas. São vistos, no geral, como profissionais de excelência.

Emprego Sa̼de РQuais os pormenores que um candidato que procure emprego fora de Portugal ṇo pode descurar?

Carla Machado – Eu diria que um candidato deve sempre procurar informar-se sobre a agência de recrutamento que se propôs acompanhá-lo. A prestação da Auxilia Recrutement, SAS é inteiramente suportada pelos clientes da empresa que são os estabelecimentos de saúde e demais organismos com responsabilidades na disponibilização de cuidados de saúde em França. Os candidatos não têm nenhum tipo de obrigação financeira com a nossa empresa e o contrato de trabalho é sempre celebrado com o empregador final o que não acontece com todas as outras agências de recrutamento a atuarem no mercado.

Tanto quanto possível é importante que troquem impressões com outros colegas que já trabalham na mesma área e se possível que tenham sido acompanhados pela mesma agência. O candidato não pode ser visto unicamente como um número.

Há ainda que perceber o apoio da agência nas várias fases de recrutamento e informar-se sobre o empregador final. Por fim é fundamental a informação sobre as diferenças na prática médica entre países e sobre formas de exercício. Perceber se os rendimentos a auferir serão suficientes para fazer face ao custo de vida local, se o candidato tem a força necessária para fazer face a um processo de mudança complexo como é o da emigração.

Há em simultâneo uma análise interior que deve ser feita e uma análise racional e concreta à oportunidade profissional proposta.

Emprego Saúde – Que conselho daria a um jovem que está no último ano do curso de formação de base?

Carla Machado – Que diante de um processo de mudança de país se prepare o melhor possível. Defina em primeiro lugar o caminho a seguir, recolha o máximo de informação sobre o exercício da sua profissão em França sobre as exigências dos organismos locais para a validação de diplomas e se prepare a vários níveis, nomeadamente no domínio da língua local. Quanto melhor dominar a língua mais fácil se torna todo o processo de integração, seja a título pessoal ou profissional.

Emprego Saúde – Que história recorda com mais satisfação no seu percurso como profissionais e recursos humanos?

Carla Machado – As histórias de sucesso felizmente são muitas. Acabamos por ficar com ligações com os profissionais que acompanhamos que passam para a esfera da amizade. Muitos profissionais contactam-nos porque tiveram referências do nosso trabalho através de outros profissionais. Há gente que em França conseguiu estabilidade profissional, financeira, casou, teve filhos, encontrou parceiros para a vida. Enfim, a vida evoluiu de forma positiva e isso é muito gratificante. Sentir que fizemos uma diferença pela positiva na vida de alguém é dos melhores sentimentos que pessoalmente e profissionalmente posso sentir.

Não temos apenas histórias de sucesso, mas orgulhamo-nos de estarmos sempre presentes e disponíveis quando as coisas correm menos bem. Afinal é nas dificuldades que a nossa presença pode fazer realmente a diferença, tanto para os nossos clientes como para os profissionais que acompanhamos.

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